POÉTICA DO COTIDIANO

Textos, Frases, Cartas, Poemas, Canções, Diálogos, Interrogações... Todas as palavras que preenchem o nosso dia-a-dia... com muita poesia!

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domingo, junho 05, 2011

ALMA GÊMEAS – PARTE III

Ele foi embora pensativo, lembrando daquele brilho nos olhos que ele nunca mais encontrou em outra garota. Amou muitas mulheres, nunca fora amado da maneira que esperava. Quem sabe aquela menina a quem ele deixara esperando naquele banco do colégio há vinte anos atrás fosse realmente a sua Alma Gêmea?

Naquela época ele não percebeu ou não tivera a coragem de realizar o seu destino, porque as vezes essas coisas assim intensas e profundas, dão medo. Juntar nossa Alma a de outro Ser pode ser perigoso e para sempre.

E agora era tarde.

Chegara em casa, logo ao abrir a porta as crianças correram a seu encontro, abraçando-o pelas pernas, eram ainda pequeninos. A esposa que colocava a mesa para o jantar sorriu-lhe suavemente como fazia todos os dias.

Tomou um banho, jantou sem muito entusiasmo, assistiu o Jornal Nacional e foi deitar-se, como fazia todos os dias. Ao acordar, pensou no encontro do dia anterior como se tivesse sido um sonho, um bonito sonho. Mas, ele escolhera acordar e ir pro trabalho como fazia todos os dias.

Talvez, tudo não tenha passado mesmo de um sonho.

domingo, maio 15, 2011

ALMAS GÊMEAS - PARTE II

Aquela resposta o deixou perplexo - como será que aquela menina que à anos atrás havia escrito coisas tão lindas sobre o amor, poderia ter se tornado tão fria? O que será que à fizeram que deixou-a tão cética em relação ao amor? Ele não entendia, no entanto não quis entrar em detalhes. O telefone tocou. Ele precisou ir embora. Não trocaram número de celular, email, ou nada.

Ela, intimamente a mesma garotinha de anos atrás, porém ele era outro, possuidor do mesmo brilho no olhar, mas outro. Aquele reencontro definitivamente não atendeu a suas expectativas. Quando chegou em casa permitiu-se recordar, sentir saudades e chorar tudo o que havia. No dia seguinte estava nova. “Nada como um dia após o outro, com uma noite no meio”.

Depois daquela tarde não se viram mais, nunca mais.

Ocorreu que a partir do instante em que eles se afastaram, irremediavelmente perderam-se. Será que ela já havia parado pra pensar que talvez nem o amasse mais? Talvez só amasse as lembranças que ele à deixou.

Dizem que o primeiro amor a gente nunca esquece, mas vai vê que tudo aquilo foi apenas uma paixão frustrada de infância. Nada de drama. É preciso fechar ciclos e abrir-se para novas histórias.
 
 
Texto escrito pela minha pupila Mary C.

sábado, julho 17, 2010

GOSTOS E DESGOSTOS

Quando ele chegou a sua porta todo molhado, debaixo daquele toró, na moto igualmente ensopada, sem blusão, capa ou qualquer outra proteção, ela não quis (ou antes não pode) acreditar. Convidou-o a entrar – era inevitável. Ficaram um tempo parados na porta se olhando, ela sem entender e ele sem explicar. Foi ela quem quebrou o silêncio:

- vou preparar um chá.

- não, não precisa.

- não é nenhum incômodo.

- não é isso... é que não gosto de chá.

Ela ficou parada pensando, tanto tempo, quer dizer, talvez não seja tanto tempo assim, alguns meses, mas de qualquer forma era algum tempo, algum tempo e ela não sabia nada sobre ele, nada sobre os seus gostos ou desgostos, não sabia quem ele era.

Ele continuava sendo para ela aquele mesmo estranho que batera na porta de sua casa numa tarde vazia e que ela deixara ficar. Como fez novamente naquela noite. Passou um café, buscou uma toalha, ele secou-se tirou a camisa, pendurou para secar, sentou-se no sofá. Ela escolheu um CD colocou para tocar, trouxe o café com biscoitos e sentou-se a seu lado.

Ele quis dar-lhe explicações, ela não quis ouvir, não era mais preciso.

- para quê tantas respostas para aquilo que não tem explicação? - disse serenamente.

Ele calou-se e deixou-se ficar como naquele primeiro dia em que chegara a porta dela triste, confuso, quase desesperado e deixou-se acolher pelo olhar doce daquela menina que por mais que quisera e tentara, não conseguia amar, não conseguia sequer conhecer.

Ela deixou-o ficar, mesmo sem amor ou explicações, talvez nada disso fosse preciso, talvez só a presença bastasse, talvez só alguém pra conversar, talvez só um sorriso furtivo, talvez só a dúvida, talvez só talvez.

Conversaram um pouco sobre assuntos aleatórios, do café passaram ao vinho, dos biscoitos aos petiscos. Depois passaram do sofá à cama e dividiram o mesmo lençol, o mesmo calor naquela noite chuvosa, os mesmos corpos, as mesmas salivas e o mesmo sono tranqüilo e profundo.

Na manhã seguinte, ela foi a primeira a acordar, com uma decisão, dessa vez estava disposta a conhecê-lo e não mais deixa-lo ir embora.

quarta-feira, maio 19, 2010

A PAIXÃO DE LÚCIA (título provisório)

Foram apenas três encontros, e ela estava assim apaixonada. Três encontros, pelo menos por enquanto, como podia tanta paixão, pensava Lúcia. É bem verdade que no primeiro ela já estava encantada. Também só podia, ele falava-lhe coisas que tocavam seu coração, elogiava o Amor, falava de filosofia existencialista. Ah! E como ela gostava de filosofia, principalmente existencialista. Adorava Sartre e seus tratados sobre o ser, o nada, o tudo... a angústia de saber a vida sem sentido. Angústia essa que ela sentira desde sempre. Se pudesse teria se dedicado mais ao estudo da filosofia, no entanto coisas da vida lhe impediram: trabalho, marido, filhos, sabe como é, né?


No segundo encontro, ele continuava falando-lhe de Amor, desta vez um outro tipo de Amor. Amor materno. Amor espiritual. Acima das coisas terrenas e das explicações humanas. Ele contava sempre histórias de personagens diferentes, profundos, que se sentiam inadequados e desamparados no mundo. Histórias de Amor e dedicação. E ela se identificava com todos e com cada um. E ia se apaixonando por ele cada dia mais.

O terceiro encontro, depois de algum tempo após o segundo, foi diferente. A conversa foi mais leve e até divertida. Através de um personagem acossado, trapaceiro, enganador e destemido, ele quis dizer-lhe que o Amor deve ser fazer presente, sempre. Que deve-se amar uma pessoa independente do que ela seja. Deve-se amar incondicionalmente.

E depois de todos esses diálogos, ela ficou pensando em sua vida. E concluiu: Ah! Godard Je T’aime! E agora aguarda, ansiosa, um próximo encontro.



Fau Ferreira 19/05/2010

 
"Alguém me sugere um título??? não gostei muito deste não..."