POÉTICA DO COTIDIANO

Textos, Frases, Cartas, Poemas, Canções, Diálogos, Interrogações... Todas as palavras que preenchem o nosso dia-a-dia... com muita poesia!

segunda-feira, julho 18, 2011

Fingimento.

De tanto fingir
chega o dia em que
a gente passa a acreditar.

E foi assim,
de tanto fingir
não te amar
que hoje
já não mais te amo.

domingo, julho 03, 2011

CASTELOS DE AREIA

Eram casados há 27 anos. Mas, agora precisava ir embora. Ela havia mudado muito durante todo esse tempo. Seus hábitos, seus pensamentos, seus desejos eram novos. Precisava viver novas experiências.


Não. Não havia arranjado outro, nem pensava nisso, ainda amava seu marido, tinha certeza. Só precisava mudar, não podia mais morar numa cidade sem praia, sem brisa, sem ar puro. Precisava realizar outros projetos de vida.

Estava pensando nesse assunto há 5 meses, mas a coragem de contar para seu marido não chegava. Até que nesta noite quando estavam deitados para dormir, iniciou o diálogo:

- Carlos, lembra da nossa primeira viagem? Perguntou temerosa.

- Claro que lembro, amor. Foi para aquela cidadezinha da Bahia, que tem uma praia linda... como é mesmo o nome? Esqueci...

- Subaúma.

- Isso, Subaúma, lindo lugar. Disse olhando para o teto, pensativo.

- E você lembra do nosso passatempo lá, além de namorar?

- Fazíamos castelos de areia, depois sentávamos e ficávamos olhando as ondas do mar desfazê-los. Às vezes uma só onda os destruía por completo, outras vezes, era preciso várias ondas. Mas, porque esta lembrança agora?

- Nada! Vamos dormir.

Abraçaram-se e dormiram quietos. Ela não teve coragem mais uma vez e pensou que não iria tê-la nunca. Afinal, Carlos era um bom marido, companheiro, atencioso. Bem, mas ela estava decidida.

E foi assim, que acordou naquela manhã de sexta-feira, com a certeza de que aquele seria um dia decisivo na sua vida. Levantou-se mais cedo, preparou ela mesma o café para os dois, como há muito tempo não fazia.

Durante o café, falou para o marido que precisavam almoçar juntos. Ele achou-a estranha desde a noite anterior e quis saber do que se tratava, mas ela desconversou. Ele foi trabalhar e ela ficou em casa arrumando as malas.

As 12 e meia, ela chegava no restaurante combinado, perto do trabalho de Carlos já esperava ansioso, sabia que naquele momento poderia perder a mulher da sua vida.

Ela deu-lhe um beijo no rosto e sentou-se. Pediram uma massa e um vinho tinto. Almoçaram em silencio. Durante a sobremesa, foi Carlos quem quebrou o gelo:

- eu sei que vai me deixar. Eu só queria saber o porquê.

- Mas... como você sabe?

- Os castelos de areia.

- Sim. Os castelos. Fizeram silêncio por um tempo e Carlos voltou a falar:

- Você estava distante, já tem algum tempo. Eu percebi, mas pensei que fosse só uma fase, que iria passar, preferi ficar calado, na minha. Ontem à noite, entendi que iria me deixar.

- Mas, Carlos, não é bem assim...

- Eu até entendo, quer dizer, não sei se entendo, talvez até entenda, mas não aceito. Mas antes de qualquer coisa, preciso saber quais as ondas que estão te levando. Você arranjou outro? Pode dizer...

- Não, Carlos. Pelo amor de Deus. Não é nada disso.

- E é o quê?

- Eu cansei, cansei desta vida que estou levando, cansei do meu trabalho. Preciso mudar de ares. Eu mudei e agora preciso mudar de ambiente. Preciso ir em busca de novos prazeres.

- E, porque eu não posso ir junto?

- Não é que não possa. Mas, você não iria. Não vai largar sua carreira, seu reconhecimento...

- Marli, eu te amo. E faço qualquer coisa pra ficar ao teu lado. Só preciso saber se você ainda me ama...

- Eu, eu, claro que eu te amo. Apenas quero mudar de cidade para realizar um antigo projeto de alfabetizar crianças carentes em cidadezinhas do nordeste.

- Se você quiser...

- Eu quero!

- Então, pedirei demissão agora mesmo e vamos para a Bahia reconstruir nossos castelos de areia.



Fau Ferreira
 
P.S. Considero este o conto mais lindo que já escrevi.

sexta-feira, junho 17, 2011

Apenas um pensamento...

Se tu soubesse a importância que dou ao que me dizes. Talvez ficasse mudo.
Mas, talvez eu desse igual importância ao teu silêncio.
E tu continuarias sem saber...

segunda-feira, junho 13, 2011

Me encante

"Poeminha do Neruda aproveitanto o clima romântico que está pairando no ar!" rsrs

Me encante da maneira que você quiser, como você souber.
Me encante, para que eu possa me dar…
Me encante nos mínimos detalhes.
Saiba me sorrir: aquele sorriso malicioso,
Gostoso, inocente e carente.

Me encante com suas mãos,
Gesticule quando for preciso.
Me toque, quero correr esse risco.
Me acarinhe se quiser…
Vou fingir que não entendo,
Que nem queria esse momento.

Me encante com seus olhos…
Me olhe profundo, mas só por um segundo.
Depois desvie o seu olhar.

Como se o meu olhar,
Não tivesse conseguido te encantar…

E então, volte a me fitar.
Tão profundamente, que eu fique perdido.
Sem saber o que falar…

Me encante com suas palavras…
Me fale dos seus sonhos, dos seus prazeres.
Me conte segredos, sem medos,
E depois me diga o quanto te encantei.

Me encante com serenidade…
Mas não se esqueça também,
Que tem que ser com simplicidade,
Não pode haver maldade.

Me encante com uma certa calma,
Sem pressa. Tente entender a minha alma.

Me encante como você fez com o seu primeiro namorado…
Sem subterfúgios, sem cálculos, sem dúvidas, com certeza.

Me encante na calada da madrugada,
Na luz do sol ou embaixo da chuva….

Me encante sem dizer nada, ou até dizendo tudo.
Sorrindo ou chorando. Triste ou alegre…
Mas, me encante de verdade, com vontade…

Que depois, eu te confesso que me apaixonei,
E prometo te encantar por todos os dias…
Pelo resto das nossas vidas!!!



Pablo Neruda

domingo, junho 05, 2011

ALMA GÊMEAS – PARTE III

Ele foi embora pensativo, lembrando daquele brilho nos olhos que ele nunca mais encontrou em outra garota. Amou muitas mulheres, nunca fora amado da maneira que esperava. Quem sabe aquela menina a quem ele deixara esperando naquele banco do colégio há vinte anos atrás fosse realmente a sua Alma Gêmea?

Naquela época ele não percebeu ou não tivera a coragem de realizar o seu destino, porque as vezes essas coisas assim intensas e profundas, dão medo. Juntar nossa Alma a de outro Ser pode ser perigoso e para sempre.

E agora era tarde.

Chegara em casa, logo ao abrir a porta as crianças correram a seu encontro, abraçando-o pelas pernas, eram ainda pequeninos. A esposa que colocava a mesa para o jantar sorriu-lhe suavemente como fazia todos os dias.

Tomou um banho, jantou sem muito entusiasmo, assistiu o Jornal Nacional e foi deitar-se, como fazia todos os dias. Ao acordar, pensou no encontro do dia anterior como se tivesse sido um sonho, um bonito sonho. Mas, ele escolhera acordar e ir pro trabalho como fazia todos os dias.

Talvez, tudo não tenha passado mesmo de um sonho.