Sensibilidade. Admiração. Espanto. Essas coisas existem? Aonde? Aonde foi para a minha capacidade de indignação? E a vontade de assistir a um pôr-do-sol, onde está? O céu azul que eu gostava de contemplar, ainda é o mesmo?O olhar de um bebê, o sorriso de uma pessoa amada, a música romântica que toca no rádio sem avisar, são coisas que não acontecem mais? Ou será que meus olhos estão cerrados, meus tímpanos estouraram e a minha pela está sofrendo de lepra? A capacidade de sentir é habilidade imprescindível para viver. Mas se ela nos abandona, o que podemos fazer?
POÉTICA DO COTIDIANO
Textos, Frases, Cartas, Poemas, Canções, Diálogos, Interrogações... Todas as palavras que preenchem o nosso dia-a-dia... com muita poesia!
segunda-feira, janeiro 31, 2011
sexta-feira, janeiro 28, 2011
Poesia
E o que a gente faz com o desejo?
Entope,
Engole,
Sufoca,
Fecha,
Aterra,
Enterra,
Mata...
Mata...
Mata...
sexta-feira, dezembro 10, 2010
AREIA
Os pés caminham descalços
O chão é quente e úmido, macio
A energia vem dele e sobe pelas pernas
Rejuvenesce, transforma, revigora
Cada passo, um sentimento
O caminhar, uma busca
Tudo é difuso, fugaz, vai-e-vem
Escorre, passa, transita foge
O pensamento tranqüiliza:
- O dia está acabando
O pôr do sol, o céu crepuscular
Anúncio de novas possibilidades
E o coração se enche de esperanças:
- Amanhã, o sol nasce outra vez!
Imcompreendida
*Poema já postado no Diário de uma Busca: http://imcompreendida.zip.net/
O chão é quente e úmido, macio
A energia vem dele e sobe pelas pernas
Rejuvenesce, transforma, revigora
Cada passo, um sentimento
O caminhar, uma busca
Tudo é difuso, fugaz, vai-e-vem
Escorre, passa, transita foge
O pensamento tranqüiliza:
- O dia está acabando
O pôr do sol, o céu crepuscular
Anúncio de novas possibilidades
E o coração se enche de esperanças:
- Amanhã, o sol nasce outra vez!
Imcompreendida
*Poema já postado no Diário de uma Busca: http://imcompreendida.zip.net/
terça-feira, novembro 30, 2010
Sobre o Tempo
O Tempo que passa e não é aproveitado
Tempo perdido é...
E, se ele passa, bate, apedreja
nos faz virar mulher.
Tudo que existe depende do tempo
se ele não passa,
nada vinga.
Se o tempo pára, tudo vira nada:
fruto não brota, flor não desabrocha
embrião não nasce.
As coisas precisam do tempo
pra nascer, crescer, florescer, desenvolver
e até mesmo morrer.
Se o tempo pára, pára tudo,
pára o mundo.
Passar é o destino do tempo
e ele não tem outra escolha.
Aproveitar o Tempo é uma escolha
ser devorada por ele, já não é.
10/08/2010
Tempo perdido é...
E, se ele passa, bate, apedreja
nos faz virar mulher.
Tudo que existe depende do tempo
se ele não passa,
nada vinga.
Se o tempo pára, tudo vira nada:
fruto não brota, flor não desabrocha
embrião não nasce.
As coisas precisam do tempo
pra nascer, crescer, florescer, desenvolver
e até mesmo morrer.
Se o tempo pára, pára tudo,
pára o mundo.
Passar é o destino do tempo
e ele não tem outra escolha.
Aproveitar o Tempo é uma escolha
ser devorada por ele, já não é.
10/08/2010
terça-feira, agosto 10, 2010
OURO DE TOLO
Ouro de Tolo - Raul Seixas
Eu devia estar contente
Porque eu tenho um emprego
Sou um dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros
Por mês...
Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso
Na vida como artista
Eu devia estar feliz
Porque consegui comprar
Um Corcel 73...
Eu devia estar alegre
E satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado
Fome por dois anos
Aqui na Cidade Maravilhosa...
Ah!
Eu devia estar sorrindo
E orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa...
Eu devia estar contente
Por ter conseguido
Tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado...
Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto "e daí?"
Eu tenho uma porção
De coisas grandes prá conquistar
E eu não posso ficar aí parado...
Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o domingo
Prá ir com a família
No Jardim Zoológico
Dar pipoca aos macacos...
Ah!
Mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro
Jornal, tobog
Eu acho tudo isso um saco...
É você olhar no espelho
Se sentir
Um grandessíssimo idiota
Saber que é humano
Ridículo, limitado
Que só usa dez por cento
De sua cabeça animal...
E você ainda acredita
Que é um doutor
Padre ou policial
Que está contribuindo
Com sua parte
Para o nosso belo
Quadro social...
Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...
Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...
Eu devia estar contente
Porque eu tenho um emprego
Sou um dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros
Por mês...
Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso
Na vida como artista
Eu devia estar feliz
Porque consegui comprar
Um Corcel 73...
Eu devia estar alegre
E satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado
Fome por dois anos
Aqui na Cidade Maravilhosa...
Ah!
Eu devia estar sorrindo
E orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa...
Eu devia estar contente
Por ter conseguido
Tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado...
Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto "e daí?"
Eu tenho uma porção
De coisas grandes prá conquistar
E eu não posso ficar aí parado...
Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o domingo
Prá ir com a família
No Jardim Zoológico
Dar pipoca aos macacos...
Ah!
Mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro
Jornal, tobog
Eu acho tudo isso um saco...
É você olhar no espelho
Se sentir
Um grandessíssimo idiota
Saber que é humano
Ridículo, limitado
Que só usa dez por cento
De sua cabeça animal...
E você ainda acredita
Que é um doutor
Padre ou policial
Que está contribuindo
Com sua parte
Para o nosso belo
Quadro social...
Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...
Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...
Essa música diz muito do que estou sentindo no momento. Daí que você tem um emprego – coisa que muita gente sonha – um salário razoável, a tal “estabilidade” tão buscada por muitos, uma vida que o povo vive pedindo a Deus.
Mas não é isso, no fundo, no seu íntimo você sente que essa não é a sua vida, não é nada disso que você queria. Essa estabilidade não é o que você queria, não te deixa tranquila, segura, por que a vida que você sonhou não é esta. E você nem pode reclamar com ninguém, porque vão te achar maluca, vão dizer que você tem que dar graças, festejar...
O problema é que o que você tá sentindo só você sabe, só você sabe que “deveria estar contente”, deveria, mas não estar. A sensação de estar sentada “no trono de um apartamento com a boca escancarada, cheia de dentes esperando a morte chegar” é tão ruim, parece que voce está muito longe dos seus sonhos, dos seus desejos e você vai murchando, murchando, perdendo a alegria, mas tem que manter o sorriso falso no rosto e achar tudo lindo, e agradecer os parabéns.
E podem dizer que você mesmo assim pode ir atrás dos seus sonhos, mas esquecem que você não tem mais tempo, nem disposição. E você não sabe o que fazer pra curar o vazio de dentro, porque você nunca soube viver na superficialidade.
E você se pergunta o que fazer, se pergunta se está preparado para frustar muita gente que você ama, e se você tem coragem de largar tudo, e o que vai acontecer se voce fizer isso? E se você opta por ficar, e abrir mão do que você realmente quer? Se você se acostumar a viver essa vidnha? Se você aprender a viver no raso?
Todas essas dúvidas, na verdade medos, ficam povoando a sua cabeça – sem respostas. E enquanto você pensa, se pergunta, tem medo, sente angústia, o tempo vai passando, por que ele sempre passa.
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